e desconfigura a página,e amizades se refazem, e mais uma viagem, e fotos são tiradas, e não te vejo mais, e decisões tomadas e abraços muitos abraços e eu aprendi a voar, e o tempo vai… a vida vem… um marasmo, uma utopia e todo mundo se ama, e é aquela nostalgia… aaaa…

Dezembro.

Só um mês pro carnaval, e novas velhas amizades, muita história pra contar, a bunda ralada de uns o mamilo ralado de outros, muito riso, muita dança, depois a fúria da natureza, chuva, tromba d`agua e a gente se fode mais se diverte, tudo molhado, desabrigados e reabrigados… ao invés de pular 7 ondas ultrapassamos as 7 barreiras caidas na Rio-Santos.. a natureza ensina as suas lições, a gente aprende a ser um cardume, e as confusões diminuem pra que a calma se faça… e bem, mais outra viagem…

Janeiro

1984 tinha sido um ano de merda. Antes do infarto, tinham me operado as costas; e Helena tinha perdido um bebê no meio do caminho. Quando Helena perdeu o bebê, a roseira da varanda secou. As outras plantas também morreram, todas, uma atrás da outra, apesar de serem regadas a cada dia.

A casa parecia maldita. E no entanto. Nani e Alfredo Ahuerma tinham passado por lá algus dias, e ao ir embora escreveram no espelho:

Nesta casa fomos felizes.

E também nós tinhamos encontrado alegria naquela casa de repente amaldiçoada pelos ventos ruins, e a alegria tinha sabido ser mais poderosa que a dúvida e melhor que a memória, e por isso mesmo aquela casa barata e feia, num bairro barato e feio, era sagrada.

A perda

Helena sonhou que estava na infância, e não via nada. Apalpando na escuridão, ela pedia ajuda, pedia luz aos gritos, mas ninguém acendia as luzes. Naquele negror não podia encontrar as suas coisas, que estavam esparramadas pela casa inteira e por toda a cidade, e ela buscava o que era dela às cegas, na cerração, e também buscava algodão ou trapos ou qualquer coisa, porque estava perdendo sangue, rios de sangue, entre as eprnas, muito sangue, cada vez mais sangue, e embora não visse nada, sentia aquele rio vermelho e espesso que se soltava do seu corpoe se perdia nas trevas.

Eduardo Galeano

Aqui em casa somos minha mãe, meu pai, eu e meu irmão, eu a mais velha, ele o mais novo. Dia desses sentei no sofá, numa noite como as outras, os quatro espalhados pela sala pouco atentos  uns aos outros. Li em voz alta então esses textos do Galeano para o meu pai pois achei que o interessaria -queria que me emprestasse seu olhar de psicólogo. E longe do sofá, sentada à frente do computador, minha mãe é quem começa a chorar,  meio despercebida. Contei a história, porque muito me comoveu o fato de no sonho Helena ser ao mesmo tempo ela mesma, e o bebê que morria, era parte dela indo embora também. Minhã mãe chorava pois era sua história emergindo e doendo.Lembrou-se por certo das duas irmãs que nunca tive. (Maracujá)

din. diz:

… eu quero não saber ,

o mistério de ontem e amanhã

a memória.

perdi totalmente a minha.

ele diz:

então agora de uma vez por todas nos desconhecemos plenamente

din. diz:

vc tá guardado em algum lugar,

a memória é gaveta bagunçada

ele  diz:

mas vc perdeu a gaveta ou a chave que a abre?

din. diz:

acho q perdi só uns papéis., mas com isso descobri o quanto lembrar ou esquecer é definitivo…. meio amplo?

ele diz:

preciso até demais

din. diz:

sabe quando tudo que chega leva vc sempre a um mesmo questionamento? A memória surgiu, eu escrevi na  parede, do lado da cama ‘memória’

e desde então as coisas vem pelo ar, jornal, amigas, performance…

to pirando, precisamos de um bar! rá!

ele diz:

nós sempre precisamos de um bar

ele denovo:

não sei onde foi que vi, ou se alguém comentou comigo, as grandes questões humanas em si, por mais importantes que sejam, parecem ser deixadas de lado no cotidiano geral. Aquela pessoa que senta ao seu lado no ônibus. Será que ela pensa alguma grande questão enquanto volta pra casa, será que ela trabalha tentando desvendar alguma coisa?

A resposta para a maioria das pessoas que se aproximam de nós é não.

din. diz:

seremos nós formigas orgulhosas? No sentido de cumprir o trabalho sem desviar do caminho predefinado?

ele diz:

e acho uma pena as pessoas não se permitirem como vc está se permitindo “pirar” com algo

din. diz:

pode uma pessoa se deixar podar a esse ponto?

A ponto de parar de pensar?

(…)`

ele diz:

mas eu acredito que sim

din. diz:

Viste a reportagem sobre aqueles cientistas que apagaram parte da memória do rato? Sabe o que aconteceu? Ele voltou a cometer os erros antigos, o rato.

.

Rá..

mas foi capaz de aprender com eles denovo

rá rá

ele diz:

então errar é um aprendizado?

din. diz:

yep! Necessário errar!

Mas o mais impressionante pra mim foi uma pesquisa,

onde as pessoas foram monitoradas durante toda a vida,

foram registradas os  acontecimentos da infância até a vida adulta

e quando perguntavam pras pessoas enquanto adultas se a infância havia sido feliz

as felizes e bem resolvidas respodiam q sim…

e aquelas q de fato haviam tido infâncias felizes, segundo os dados registrados anteriormente na própria pesquisa., que enquanto adultas se tornaram infelizes quando perguntavam se elas haviam tido uma infância feliz elas respondiam que não.

din. diz:

contradiziam os registros da pesquisa, como se o presente e as emoções interferissem diretamente na nossa gaveta “infância” ou outra.

ele diz:

entendi a interpretação, mas fiquei a pensar que talvez, o problema seja justamente em tentar estipular o que é ser feliz.

o que é ser feliz? a pesquisa explica isso?

o que faz um registro ser o de uma infância feliz?

din. diz:

embolou mais meus questionamentos.. (deliça)

os critérios de felicidade mudam então?

felicidade é relativo..

ele diz:

critério de quem? dos pesquisadores ou dos pesquisados?

din. diz:

essas coisas mudam dependendo de ___________________

ele diz:

pesquisa interessante mesmo,

fiquei pensando, pensando, pensando mais rápido do que meus dedos, por isso fiquei parado, sem escrever…

ele diz:

ser feliz é que é ________

din. diz:

então são os critérios,

mas que  se eu disser, listar aqui serão os meus!

ele  diz:

e se eu tentar compreender, serão os meus.

ele diz:

será que existem critérios que sejam nossos? Critérios apenas humanos? Independentes da cultura?

din. diz:

aih vc vai entrar na pendeenga ingridiana da cultura., pra mim tudo é cultura

é conhecer ou não, é conhecer a amplitude em que se pode ir para poder tbm materializar além..

.fala alguma coisa peloamordedeus se não lá vem história…

ele diz:

ai ai ai, que seu peloamordedeus me diverte e faz rir um bocado

eu estava a esperar terminar de escrever e eu penso antes de escrever no que estou lendo

din. diz:

enquanto vc pensa vou contar então, para exemplificar,

levei meus alunos do terceiro ano na minha faculdade,

eles viram simples o mundo ao qual se negavam a tentar entrar (alguns), e amaram, e começaram a querer,,.

AMPLIOU!

ele diz:

vc sempre se coloca debruçada sobre os assuntos que me diz, eu acho isso bacana

din. diz:

é meu lado educadora fenomenógica (ou falei besteira?)

ele diz:

digo isso por ver muito do seu afeto perante as questões, vc aplica suas entranhas naquilo que pensa, admiro essa sua postura.

din. diz:

(sentido)

din. diz:

pra fazer(sentido)

din. diz:

(fazer sentido)

din. diz:

sentindo

ele diz:

Exato!

L…. diz:

O real existe dentro de cada um?

din. diz:

não

“A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida. “

Vinicius de Moraes

O mais macio de todos,

nunca eu soube explicar o que queria dizer com isso.

Era como ver macio, sentir macio, era essa a presença dele pra mim.

Era me encaixar em cada superfície.

Sentimento/coisa amorfa querendo ser.

Tudo ao mesmo tempo.

Congestiono e córo.

Como se o corpo, meu corpo; ficasse em desalinho,

a vermelhidão no dorso,

no rosto.

Coração violoncelo atinge notas

que não sei onde ficam -Villa Lobos o saberia.

(As bachianas número 2?).

verdes citrícos, vermelhos e marrons talvez.

O gosto não sei.

E ainda os suores. os cheiros todos.

nos abraços éramos encontro,

Macio. puro. simples.

Não consigo dormir – eu rolo pela quina, pela beira-

quem são os pássaros que vêm cantar a essa hora?

Pra ninar os poetas, os desvarridos e os inexatos, os donos da noite, os bêbados…

Passáros loucos que cantam antes dos galos.

Eu rolo pela quina, pela beira, eu parede a cima, chão a baixo.

uma cama de solteiro.

imensa.

din. diz:

é tá dentro,

tem um artista plástico q pega as raízes do fundo da terra no início da primavera, e elas  estão queimadas, nas pontas.

ele diz q é do fundo da terra q começa  a estação, e a gente é natureza, a gente é terra tbm, a gente arde.

ele diz:

e quando iremos?

din. diz:

iremos?

ele diz:

misto de alguma coisa que não posso dizer  com tristeza.

ele diz:

que buniteza era?

din. diz:

muita buniteza

ele diz:

e fazia sorria a alma que balançava lá longe?

… =}

Cadê aquele grito? As pessoas -e quando digo pessoas quero dizer eu- precisam de certezas, embora não as tenha para dar.

… comecei essa coleção a bem..

 bastante tempo atrás.. foi quando estava na quinta série, foi num abraço na Tia Rita (como ainda lembro o nome dela?)

 Ela me ensinou um abraço de verdade.

“Mas que abraço frouxo”.

Eu me lembro.

E deu-me um abraço apertado, lembro do abraço firme, de gente confiante da tia Rita até hoje.

Acho que aí que comecei minha coleção.